sábado, 7 de agosto de 2010

Médio

Ano novo e aniversário são datas reflexivas, pois normalmente nessas datas as pessoas procuram fazer um balanço reflexivo de suas vidas, e comigo não foi diferente. Cheguei a ¼ de século, ou 1/3 da expectativa de vida média do brasileiro, e me pus a pensar o que eu fiz até aqui, o que fiz de diferente, em que minha existência pode ter marcado alguém ou algo e a conclusão não foi das melhores como veremos a seguir.


Desde moleque as pessoas sempre colocaram uma expectativa exagerada em mim. Sinceramente, nunca dei motivo para tamanha boa vontade para comigo, mas o fato é que sempre esperavam coisas boas vindas de mim. Só que, infelizmente nunca consegui corresponder a essas expectativas.


Sempre fui médio.


Nunca fui muito bom ou excelente em alguma coisa, sempre estive ali, na vala dos comuns, sem nenhum diferencial, nenhum plus.


Eu nunca fui um bom aluno. Como eu disse, sempre fui médio. Não tirava notas boas como meus pais esperavam, não era inteligente como os professores pensavam, e ainda era indisciplinado.


Eu não tenho nenhum dom. Nadica de nada. Não tem nada que eu faça diferente, não sei cantar, tocar instrumento musical, cozinhar, interpretar (Uma vez participei de uma peça de teatro na escola que consegui empatar para eleição de melhor ator coadjuvante!!!), dançar, contar piada, contar casos, escrever, liderar, acampar, jogar vídeo-game e não sou corajoso, tipo pra praticar esportes radicais. Um banana de marca maior.


Falando em esportes, eu não sei jogar nada direito. Nunca fui um grande jogador, nem de futebol. Era médio. Não comprometia, mas também nunca era dos primeiros a ser escolhidos na escola, por exemplo.


Eu não sou um bom filho, nem um bom parente. Mal conheço meus irmãos, meu sobrinho nasceu com um problema de saúde, já tem mais de um ano de idade e quantas vezes eu visitei ele? Nenhuma. De todas as vezes que fui à casa dele, nenhuma foi pra vê-lo. Nem pra ser apegado a família eu sirvo. Eu e meu pai não gozamos de um grande relacionamento se é que podemos dizer assim, temos uma relação profissional conturbada e uma relação familiar neutra, o que é péssimo, óbvio, afinal, somos pai e filho. Minha mãe a vida inteira fez tudo pra mim e eu retribuo com desgosto. O sonho dela é que eu nunca tivesse crescido, porque depois de crescido eu me tornei um péssimo filho. Não paro em casa, não fico com ela, e como moramos só nós dois, isso deixa ela muito magoada. Não sei precisar quantas vezes fiz a mulher que mais me ama na vida chorar. Isso sem falar das minhas avós... melhor nem falar mesmo, não quero que quem porventura ainda esteja lendo este texto fique com raiva de mim.


Eu não sou um bom profissional. Estudei muito pouco na faculdade e estudo menos depois de formado. Não fosse trabalhar com meu pai, hoje talvez estaria passando um master sufoco financeiro. Pra completar, passei de terceira no exame da categoria profissional.

O que me faz lembrar que sou um mau motorista. Passei de terceira também no exame de rua de carro, já bati feio uma vez e apronto uma freação quando estou dirigindo na estrada. De moto, só o fato de eu ter batido duas vezes já dá pra vocês terem uma noção da destreza.


Eu não sou um bom namorado. Nunca fui. Se fosse a mulher que eu amo não teria partido. Duas vezes. Talvez seja meu jeito explosivo, ignorante, orgulhoso e muitas vezes hipócrita de ser. Falar das causas do meu fracasso como namorado exigiriam umas boas páginas, e o texto já está ficando longo.


Eu não tenho dinheiro. Nenhum. Se eu tirasse um extrato das contas bancárias e anexasse aqui neste texto, talvez vocês leitores fariam doações caridosas. A única vez que consegui juntar alguma grana, o que demorou um ano, digamos que eu não soube gastar ela direito, e em quarenta em cinco dias já não tinha mais nada. Meu carro não é meu, minha moto foi meu pai que ajudou a comprar. Alguns vão dizer que tenho um bom guarda-roupa, mas se eu ou minha mãe precisarmos de grana com urgência, por motivo de saúde pra exemplificar, ele não vai adiantar absolutamente nada.


Eu nunca fui um bom cristão. Mas neste quesito eu foi dispensar tecer comentários, depois me desabafo sobre isso com Deus.


Eu não sou um bom amigo, não sei pedir desculpas, acho que posso mandar na vida deles, e fico bravo quando eles contrariam minhas idéias. É outro tópico que mereceria uma atenção maior.


Resumidamente, nunca fui bom em nada, e talvez nunca serei. Confesso, que também não sou muito ruim em algumas coisas que citei acima, como disse sou médio, e o médio é medíocre.


Já me sinto um pouco aliviado, talvez as lágrimas que derramei ao escrever quase todos os parágrafos acima tenham realizado algum tipo de limpeza. Uma vez uma amiga me definiu como um “meio sorriso”, gostei da definição, pena que hoje, eu não seja nem meio mais.

4 pensamentos:

Luh disse...

Sabe que hoje eu estou nesse mesmo barco de águas transtornadas? e de quem é a culpa do mundo, dos coadjuvantes ou das nossas expectativas extravagantes e obcecadas? a gente quer muito quando fala de amor? talvez o mínimo, quanta miséria esses amores mal amados nos dispõe, nessas horas é melhor ser sozinho, pelo menos a gente não espera muito.

Camila disse...

Se estivessemos próximos, eu iria lhe abraçar forte, secar tuas lágrimas e nada dizer...
Ia ser daqueles momentos silenciosos, pois não precisariamos de palavras...

(L)

Cleonice Braz disse...

Vitor...

Lendo esse texto da pra conhecer vc um pouquinho...
Mas engraçado que quase todos da nossa idade se sentem mais ou menos assim... crise?
Não sei...

Tantas coisas que fazem com que reclamemos da vida... e ela nem é tão ruim assim, né?


Mas...

C'est la vie...


Beijo pra vc!

♥♥NaNnA BeZeRrA♥♥ disse...

Ah, tá bom...só que esqueceu de dizer algo que voce faz bem: RECONHECER SEUS DEFEITOS!
Coisa que a maioria de nós, na qual me incluo, não sabe fazer. Nos achamos os tais. Os bons de bola, os encantadores de serpentes, os filhos extraordinários.
balela!
Somos todos iguais nesse mundico meia-boca...
A diferença é o quanto isso dói e o que fazemos para melhorar o tempo que deveríamos, então, sermos felizes.
Voce escreve. Exorciza seus horrores quando constata seus anseios, fragilidades, erros e acertos. Isso é bom!
E pra mim, quando te leio, quando como o pinguin lá de cima, e racho o bico, viajo contigo. Rindo ou não.
E por causa disso te digo: VOCE É BOM!!!
rsrsrs
abraços aê!

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